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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Rabiscos - Palavra expressa



Traços sem direção
dedo, caneta, pele, papel
palavras ao léu

Desenhos reconhecidos
sol, lua, homem, mulher
precisando de céu

Linhas sem destino
reta, bifurcada, paralela, curva
como uma luva

Vidas redesenhadas
fria, quente, seca, úmida
previsões burras

Obras inacabadas
aprendiz, adulto, mestre, criança
eterna dança

Escritas sem correção
intuitiva, sentida, expressa, livre
rabiscos de nossas vidas

Joakim Antonio


Publicado originalmente na coluna Palavra expressa, no site Retratos da Alma.


Imagens: Free Stock

sábado, 10 de setembro de 2016

Tempo bom


São Paulo, madrugada fria, chamo-o a conversar comigo como se tivéssemos hora marcada e sem demora, ele vem.

Tempo, meu mais antigo e nunca velho amigo, me presenteando cartas brancas, onde escrevo meus delírios. Depois coloco na garrafa e jogo em tuas águas, guardadas até alcançarem as mãos do grande presente. Não sou a mesma criança, do primeiro dia que conversamos, mas se valesse a medida, comecei o sétimo ano. Por isso lhe chamei novamente. Chegou a hora de me matricular, na escola do que aceitei, quando alguém disse meu verdadeiro nome e vieste, de braços dados com Poiesis, descortinar todos os passos que me levaram a ela. Sei que me favorece mais, quando esqueço-o, pois foi o jeito que combinamos para não me consumir. Não maldigo quando passa, não maltrato quando não vem. Elástico no prazer e curto no enfadonho, seja Kairós, seja Chronus, Sol girando, ou areia navegando num oito. Não importa o nome que lhe dão, sempre o reconheço e admiro em segredo, sem que o outro saiba que lhe estende a mão. Continue bem vindo no seio da minha família e a me guiar nas tuas águas. Sendo presente onde eu esteja, fazendo do sorrir, lembrança atemporal. Estou pronto pra aprender mais, tu o professor e a vida, sempre uma nova lição.

Que os despertadores cantem em uníssono: o Tempo é bonito.

Até o próximo encontro e obrigado pela lembrança do aniversário, hoje é dia de te encontrar brincando, na consciência de todos por onde passar.

Hoje é dia de Tempo bom.


Joakim Antonio


(escrito na areia, levado pelo tempo)



Imagem: Bottle of time by Lupaakarii

terça-feira, 26 de julho de 2016

Criança pererê - Descortinando Cassiano Ricardo (poeta)





Criança pererê
vive a pular
um pé na oca
outro na cidade
hora verde
hora amarela
resquícios culturais
de antigas verdades
resquícios modernos
de civilidade

Criança pererê
quando dá
pula e sobe
no pé que quiser 
em casa touca
na rua boné
no quintal
vestes poucas
na rua
da cabeça aos pés

Criança pererê
a brincar
de rei do mundo
perfeitamente
conjugado
hipocritamente
correto
puramente ingênuo
sem saber
que realmente é rei

Joakim Antonio



Poética

1
Que é a Poesia?

Uma ilha
Cercada
De palavras
Por todos
Os lados.

2

Que é o Poeta?

Um homem
Que trabalha o poema
Com o suor do seu rosto.
Um homem
Que tem fome
Como qualquer outro
Homem. 

CASSIANO RICARDO





Quarto ocupante da Cadeira 31, eleito em 9 de setembro de 1937, na sucessão de Paulo Setúbal e recebido pelo Acadêmico Guilherme de Almeida em 28 de dezembro de 1937. Recebeu os Acadêmicos Fernando de Azevedo e Menotti del Picchia.

Cassiano Ricardo (C. R. Leite), jornalista, poeta e ensaísta, nasceu em São José dos Campos, SP, em 26 de julho de 1895, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 14 de janeiro de 1974.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Agradecimento eterno



Juntou seu dinheirinho, contando centavos pela vida afora e finalmente comprou a casa onde crescera. Mesmo a contragosto dos filhos, pois pagou bem mais do que valia. Mudou-se e fez um almoço de boas vindas para a família. Fez tudo como era no seu tempo de criança. A comida exalava um cheiro que nunca sentiram, evidenciando sua gostosura e deixando todos com água na boca, fazendo crianças e adultos ficarem em volta, nos famosos beliscos.

Ao servir a refeição, todos comeram até se fartar, alguns lembrando que há tempos não comiam certos alimentos e quitutes, mas tudo era bom demais. As mulheres, todas em volta dele, queriam saber as receitas do grande avô e ele. apenas ria e dizia ser segredo de família, mas no fim do dia, saberiam de onde veio.

Na hora da sobremesa, pediu que todos fossem para outra mesa, no quintal dos fundos. E assim o fizeram. Filhos em volta da mesa, netos pelo chão, noras servindo a todos em taças antigas, de extrato de tomate cica. Todos fizeram questão que ele comesse o primeiro pedaço do manjar, daqueles simples e com ameixas em cima.

Ele sentou e colocou um babador, meio puído e com galinhas e patos desenhados à mão, olhou para todos, com um brilho que nunca viram antes e sem medo dos netos o acharem mais louco, falou em voz alta, descendo lágrimas, mas com um sorriso no rosto.

Obrigado Mãe!


Joakim Antonio


Imagem: Smile by Dailywish

terça-feira, 24 de maio de 2016

Quem me fez crescer



Quem me fez crescer, errou tudo no processo. Deixou o fora grande e o dentro gigante. Colocou asas nos pés e estrela nos olhos. E cavocou mais espaço no coração.

Quem me fez crescer, esqueceu de dizer. Que não devia sonhar demais, sorrir demais, amar demais. Nem criar e tampouco buscar, loucos como ele, ousando se divertir.

Quem me fez crescer, sumiu já na maternidade. Fiquei sem saber se havia partido, fora sequestrado, ou apenas se escondido. Se era humano, divino, ou o nada, onde tudo está.

Até o dia que novamente se fez presente, quando alguém olhou através da janela e chamou seu morador de poeta. E ela, tocando meu peito, disse, apontando a porta, "Vai menino, teu lugar agora é lá fora.".

Imagem: Kurumin Urbano (kinzinho)

domingo, 30 de agosto de 2015

Preciso




Descente 
racha cabeças

não há sutilezas

sangue farto
escorre das mãos

mancha o teclado

boca certa
gosto ferroso

língua bifurca cala

escorre dos olhos 
transforma letras

alimenta o machado

depois adormece
feito criança

o sono dos justos


Joakim Antonio


Imagem: Axe head by Evillatenighttv

domingo, 26 de julho de 2015

Criança pererê - Descortinando Cassiano Ricardo (poeta)





Criança pererê
vive a pular
um pé na oca
outro na cidade
hora verde
hora amarela
resquícios culturais
de antigas verdades
resquícios modernos
de civilidade

Criança pererê
quando dá
pula e sobe
no pé que quiser 
em casa touca
na rua boné
no quintal
vestes poucas
na rua
da cabeça aos pés

Criança pererê
a brincar
de rei do mundo
perfeitamente
conjugado
hipocritamente
correto
puramente ingênuo
sem saber
que realmente é rei

Joakim Antonio



Poética

1
Que é a Poesia?

Uma ilha
Cercada
De palavras
Por todos
Os lados.

2

Que é o Poeta?

Um homem
Que trabalha o poema
Com o suor do seu rosto.
Um homem
Que tem fome
Como qualquer outro
Homem. 

CASSIANO RICARDO





Quarto ocupante da Cadeira 31, eleito em 9 de setembro de 1937, na sucessão de Paulo Setúbal e recebido pelo Acadêmico Guilherme de Almeida em 28 de dezembro de 1937. Recebeu os Acadêmicos Fernando de Azevedo e Menotti del Picchia.

Cassiano Ricardo (C. R. Leite), jornalista, poeta e ensaísta, nasceu em São José dos Campos, SP, em 26 de julho de 1895, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 14 de janeiro de 1974.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Ironias - Palavra expressa





Eu sou um ser noturno
mas não soturno
que por ironia do destino
estuda de manhã
(mentira, culpa só minha)

Eu sou um ser adulto
mas não maduro
que por ironia da vida
ainda brinca como criança
(mentira, culpa só minha)

Eu sou um ser alegre
mas não tonto
que por ironia das lições
virou bobo de Clarice
(mentira, culpa só minha)

Eu sou um ser mutante
mas não mascarado
que por ironia da natureza
nasceu com versos nos olhos
(mentira, culpa só minha)

Eu sou um ser inteiro
mas não completo
que por ironia das escolhas
foi obrigado poetizar mentiras
(mentira, culpa só minha)

Joakim Antonio

A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade.
Pablo Picasso


Publicado originalmente na coluna Palavra Expressa, em Retratos da Alma.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Realidade


Moleque safado, roubou o mercado. Doriana dentro da calça, Claybom por baixo da camisa. Saiu correndo em desespero e parou na esquina. Ofegante, suado, ainda com os olhos estatelados, de medo, enquanto o segurança gritava, "Eu ainda te mato, seu porcaria.".  Seu cheiro era sem tamanho, mistura de comida da lixeira e dias sem banho. Mas agora sim, usaria seu dom artístico para mudar seu destino. Cansou de fazer esculturas, em sobras de feira, que ninguém queria.

Jogou os potes na calçada, encheu a mão naquele engordurado gelado e esculpiu de qualquer jeito, uma mulher, um homem, duas crianças, um cachorro e uma casa ampla. Logo depois, se acalmou, rezou pro Dono das ruas e dormiu diante sua obra prima. Acordou com o sol a pino, mais sujo que de costume, quase que recoberto por sua criação. Não foi como nos desenhos, onde a comida anda, nem foi como nos contos de fada, onde desejos viram realidade. Foi sim, exatamente como lá no fundo já esperava e entendia.

Não é dado aos rejeitados, ter uma família de margarina.

Joakim Antonio​


Imagem: Homeless by sifu

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Donos da casa



Mestres das folhas
irmãos da mata
compadres d’água
apadrinhados pela Lua
nascidos da Mãe Terra
depois de amar o Sol


Joakim Antonio


Imagem: Roberto Ecologia

sábado, 26 de julho de 2014

Criança pererê - Descortinando Cassiano Ricardo (poeta)





Criança pererê
vive a pular
um pé na oca
outro na cidade
hora verde
hora amarela
resquícios culturais
de antigas verdades
resquícios modernos
de civilidade

Criança pererê
quando dá
pula e sobe
no pé que quiser 
em casa touca
na rua boné
no quintal
vestes poucas
na rua
da cabeça aos pés

Criança pererê
a brincar
de rei do mundo
perfeitamente
conjugado
hipocritamente
correto
puramente ingênuo
sem saber
que realmente é rei

Joakim Antonio



Poética

1
Que é a Poesia?

Uma ilha
Cercada
De palavras
Por todos
Os lados.

2

Que é o Poeta?

Um homem
Que trabalha o poema
Com o suor do seu rosto.
Um homem
Que tem fome
Como qualquer outro
Homem. 

CASSIANO RICARDO





Quarto ocupante da Cadeira 31, eleito em 9 de setembro de 1937, na sucessão de Paulo Setúbal e recebido pelo Acadêmico Guilherme de Almeida em 28 de dezembro de 1937. Recebeu os Acadêmicos Fernando de Azevedo e Menotti del Picchia.

Cassiano Ricardo (C. R. Leite), jornalista, poeta e ensaísta, nasceu em São José dos Campos, SP, em 26 de julho de 1895, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 14 de janeiro de 1974.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Brincado - Coluna Palavra Expressa - Retratos da Alma



Brincado, coluna Palavra Expressa no site Retratos da Alma 

"(...) Rumava em direção ao Horto Florestal, com sua mochila repleta de coisas doces, mesmo sem entender direito o porquê. Sabia apenas que era o que sua vontade pedira: afinal, se existem dias amargos, é natural haver dias doces também… e foi justamente o que ocorreu ali, nem tanto pelas guloseimas compradas, mas sim pelo encontro inesperado e maravilhoso (...)"


Clique abaixo para ler o texto completo




Imagens:

1Swing with it by Kaii Marshall

2Always write by pink-kangaroo



terça-feira, 29 de outubro de 2013

Querendo



Eu quero de volta
os anos que me tomaram
não em dias do calendário
mas tentando tolher
de uma criança
o doce ser

Eu quero de volta
as ideias que me tomaram
quero-as não formatadas
sem as desculpas
totalmente esfarrapadas
do não poder

Eu quero de volta
meus primeiros porquês
todos bem soletrados
tomados enquanto elogiavam
mas me seguravam
no mesmo dever

Eu quero de volta
minhas redações e canções
devidamente descorrigidas
com todos meus
pingos e vírgulas
do jeito que imaginei

Eu quero de volta
todos será e elogios
nunca ditos
mas preste atenção
sem nenhum dos
somente se

Eu quero de volta
o todo extirpado
os amanhãs descartados
o hoje melhor
presentes ontem
em todos nós


Joakim Antonio 



Imagem: Creature of dirt by Ninke

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Criança pererê - Descortinando Cassiano Ricardo (poeta)





Criança pererê
vive a pular
um pé na oca
outro na cidade
hora verde
hora amarela
resquícios culturais
de antigas verdades
resquícios modernos
de civilidade

Criança pererê
quando dá
pula e sobe
no pé que quiser 
em casa touca
na rua boné
no quintal
vestes poucas
na rua
da cabeça aos pés

Criança pererê
a brincar
de rei do mundo
perfeitamente
conjugado
hipocritamente
correto
puramente ingênuo
sem saber
que realmente é rei

Joakim Antonio



Poética

1
Que é a Poesia?

Uma ilha
Cercada
De palavras
Por todos
Os lados.

2

Que é o Poeta?

Um homem
Que trabalha o poema
Com o suor do seu rosto.
Um homem
Que tem fome
Como qualquer outro
Homem. 

CASSIANO RICARDO





Quarto ocupante da Cadeira 31, eleito em 9 de setembro de 1937, na sucessão de Paulo Setúbal e recebido pelo Acadêmico Guilherme de Almeida em 28 de dezembro de 1937. Recebeu os Acadêmicos Fernando de Azevedo e Menotti del Picchia.

Cassiano Ricardo (C. R. Leite), jornalista, poeta e ensaísta, nasceu em São José dos Campos, SP, em 26 de julho de 1895, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 14 de janeiro de 1974.

domingo, 14 de julho de 2013

Criança mágica



E da sua cachola, saíam coisas que ninguém dava bola. Visitava locais estranhos, sem data, nem calendário, entendendo todas as línguas, sem uso do dicionário. Fechava os olhos aqui e abracadabra! Quando os abria, estava do outro lado do mapa. Seu caderno de sonhos, repleto de histórias fantásticas, vive ao lado da cama, mas só compreende seus escritos, quem ainda tem olhos de criança. Nunca duvidava de sua mágica e ria sozinho, pois cada dia era uma pessoa nova e todos só viam um menino. No dia de doutor, curava com risos o vovô, quando era cozinheiro, ajudava a vovó o dia inteiro e quando era massagista, fazia cafuné; na mãe, no pai e na tia. Como todo mágico também tinha um ajudante, seu valoroso protetor, um gato de borracha achado na rua, que dormia com ele sob o cobertor. Só tem um ponto fraco, que nunca ousa admitir, a única coisa que o deixa triste é quando lhe falta a palavra certa, para completar a mágica de fazer sorrir.

Joakim Antonio


Imagem: Imagination by Smiichy

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sinal vermelho




Aí Tia, me estende a mão
Eu tô carente de poesia

Queria um beijo da mãe
Um afago do pai
Aquele carinho dos avós
Mas não os vejo mais

Primeiro sumiram da vista
Com o tempo, da lembrança
Sobrou apenas saudade
Do meu tempo de criança

Não se engane Tia
Pra vida, eu já cresci

Por falar nisso
Também queria muito
Como é que diz o Chaves?
Um sanduíche de presunto

Não ri não, é sério, Tia
Eu tenho essa dor esquisita
Nem sei porque dói
Se não tem nada na barriga

Aí Tia, abaixa o vidro
Conversa aqui comigo

Hoje eu não quero bala
Nem dada, nem perdida
Também cansei de bolacha
Na caixa, na cara

Hoje eu queria mais
Sabe porquê?
Um cara dum carro gritou
O problema daqui é você

Fiquei pensando, será Tia
Que eu estraguei o mundo?

Por isso minha mãe me deu
E o meu pai sumiu?
Por isso batiam em mim
Lá na casa que fugi?

Será que se desaparecer
O mundo melhora?
Será que se eu morrer
Viro anjo na hora?

Tive uma ideia Tia
Me ajuda a saber

Abre essa porta
E me leva contigo
Trata como um filho
Depois traz de volta

E vou olhar para cá
Pra ver se os amigos
Também viram problema
Do outro lado do vidro

E aí Tia, já vai?
Ah, tá verde, pra você


Joakim Antonio



Imagem: Don't stop me now por Adriana Cecchi









quinta-feira, 26 de julho de 2012

Criança pererê - Descortinando Cassiano Ricardo (poeta)





Criança pererê
vive a pular
um pé na oca
outro na cidade
hora verde
hora amarela
resquícios culturais
de antigas verdades
resquícios modernos
de civilidade

Criança pererê
quando dá
pula e sobe
no pé que quiser 
em casa touca
na rua boné
no quintal
vestes poucas
na rua
da cabeça aos pés

Criança pererê
a brincar
de rei do mundo
perfeitamente
conjugado
hipocritamente
correto
puramente ingênuo
sem saber
que realmente é rei

Joakim Antonio



Poética

1
Que é a Poesia?

Uma ilha
Cercada
De palavras
Por todos
Os lados.

2

Que é o Poeta?

Um homem
Que trabalha o poema
Com o suor do seu rosto.
Um homem
Que tem fome
Como qualquer outro
Homem. 

CASSIANO RICARDO





Quarto ocupante da Cadeira 31, eleito em 9 de setembro de 1937, na sucessão de Paulo Setúbal e recebido pelo Acadêmico Guilherme de Almeida em 28 de dezembro de 1937. Recebeu os Acadêmicos Fernando de Azevedo e Menotti del Picchia.

Cassiano Ricardo (C. R. Leite), jornalista, poeta e ensaísta, nasceu em São José dos Campos, SP, em 26 de julho de 1895, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 14 de janeiro de 1974.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Vida de mentira


Na insegurança da adolescência 
mentiu idade
para conseguir emprego
 onde morava
pelo preconceito
 sobre o trabalho
para não virar piada

Já homem feito e livre do medo
continuou mentindo 
para as crianças
pela alegria
aos adultos
para relaxarem
a idosos 
para relembrarem

Chegando no fim da vida
ainda assim mentia
se dizendo saudável
para não lhe pararem
com o coração forte
mas aos poucos morria 
por dentro chorava
mas por fora sorria 

Morreu no fim do espetáculo
 segurado nas cortinas
enquanto o povo aplaudia de pé
achando que ainda vivia

Joakim Antonio 

domingo, 16 de maio de 2010

Viagem breve



Malas sobre a cama
movimentos lentos
brilho na frente do olho
por trás choro

Tic tac do relógio
todo mundo junto
horas especiais
dia curto

Cheiro de café no ar
gosto do momento
forte encorpado
tudo intenso

Sentimentos presentes
futuro certo
situações passadas
amor eterno

Vontades iguais
não deixar ir
rasgar passagem
ficar ali

Bagagens prontas
lembranças guardadas
beijos de despedida 
caminho de mãos dadas

Amor em beijos e abraços
partida na hora
depois as lágrimas
dentro e fora

Viagem longa
paradas breves
imagens suas
sono leve

Chegada em casa
telefonema certo
voz tranquila
sorriso terno

Na cabeceira da cama
sua lembrança
embalando sono
como criança


"Quando o coração espera, semanas parecem décadas!"

Joakim Antonio

sábado, 8 de maio de 2010

Meus olhos nos seus


Se há uma coisa que as pessoas admiram muito são olhos, eu mesmo sou um grande apreciador de olhares, olhos enamorados me fazem viajar os sete mares para revê-los, olhos marejados são como vírus, que passam para pessoas mais sensíveis ao notá-los, os olhos que menos uso são os irados e também fico triste ao ver que, para alguns, eles são os mais usados, olhos de criança não preciso nem falar, são como ficam os meus e os dela quando a gente começa a brincar e ao olhar em volta, tanto adulto quanto crianças passam a rir, ao olhar para o lado e ver nossas loucuras que os deixam com olhares admirados. Mas os olhos que eu mais gosto são aqueles que de tão colados, os cílios ficam praticamente entrelaçados, abraçados, beijando-se, são os chamados olhos vidrados, que parecem possuir em vez de olhos diamantes ou estrelas brilhantes, o verdadeiro olhar dos  amantes.

"Os meu olhos nos seus, os seus olhos nos meus e os nossos olhos no futuro"

Joakim Antonio

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