Mostrando postagens com marcador crescer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crescer. Mostrar todas as postagens

sábado, 31 de dezembro de 2016

Brote



Ideias; somos, criamos, descartamos, aceitamos, polimos, mudamos, para se encaixar nelas ou para que se encaixem, na ideia que fazemos de nós. Nos conhecemos, mas ainda fazemos coisas  imaginando o que o outro pensa de nós, quando deveríamos apenas ser e deixar o outro ser, sem julgamentos.

Somos comunidades e no encontro de mentes, há mudança, no embate saudável de conhecimentos, também. Mesmo quando só falamos muito e ouvimos pouco, algo fica. Uma semente de outra ideia, que mesmo refutada, passa a morar em nós. Junto dela há inúmeras mais, sendo modificadas a cada segundo, em nossa experiência de viver. Somos ideias em movimento, esperando para nascer.

Que nesse novo ciclo de caminhadas, deixemos nossas ideias brotarem, sem medo do que o outro irá pensar, sem receio de dedos apontados, sem ligar para o que os outros imaginam que somos, mas sem deixar de notar e acolher, os que realmente conseguiram nos enxergar.

Que eu, você e o mundo, saibamos deixar brotar o Ser.

Um Feliz Ano Novo e uma Linda Vida!

Joakim Antonio


Imagem: Return to life by Mullahsaid

terça-feira, 24 de maio de 2016

Quem me fez crescer



Quem me fez crescer, errou tudo no processo. Deixou o fora grande e o dentro gigante. Colocou asas nos pés e estrela nos olhos. E cavocou mais espaço no coração.

Quem me fez crescer, esqueceu de dizer. Que não devia sonhar demais, sorrir demais, amar demais. Nem criar e tampouco buscar, loucos como ele, ousando se divertir.

Quem me fez crescer, sumiu já na maternidade. Fiquei sem saber se havia partido, fora sequestrado, ou apenas se escondido. Se era humano, divino, ou o nada, onde tudo está.

Até o dia que novamente se fez presente, quando alguém olhou através da janela e chamou seu morador de poeta. E ela, tocando meu peito, disse, apontando a porta, "Vai menino, teu lugar agora é lá fora.".

Imagem: Kurumin Urbano (kinzinho)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A poesia cresce - Descortinando Pio Vargas (poeta)


ela traça o plano

aparece travestida de som, sentimento, toque, sem que ninguém a evoque, presente um milésimo de segundo antes de sequer pensarmos em tê-la, ou melhor, cortejá-la para que nos tome e sopre em nossos ouvidos, seus antigos e sedutores segredos, transformando o nada em tudo.

presente no primeiro gemido, no gozo, em gestos de irreverência, nas falas, música e letras de protesto, na batida calma do coração a meditar, nos dedos vibrantes na guitarra e na primeira fala ritmada, quando do nascimento de rappers, repentistas, artistas e demais filhos que ela adotar.

ela anda, corre, dança, fala, cala, canta, se esconde, se infiltra, se doa, suja, limpa, transparente, come, bebe, respira.

a poesia cresce!

Joakim Antonio


“considerações necessárias

é preciso tirar a poesia da clausura dos concursos, das gaiolas do acaso, do exílio das gavetas, trazê-la para o sabor do consumo rápido e fácil, envolvê-la de popularidade, sem o vulgarismo perigoso do que é descartável, mas também sem a absurda pretensão do que se quer eterno. 

poesia para fazer rir e refletir, evoluir e incomodar, propor e decompor. poesia para os botecos, para os gabinetes, para as praças, para os salões de festas, para os mocambos, para as favelas, estúdios, vídeo clipes e palanques.

poesia sem medo, poesia sem trauma, poesia-pão, poesia-sim, poesia-não. pois ia ousar um dia popularizar a poesia.

viva a poesia viva!”

Pio Vargas


Pio Vargas (Iporá, 7 de setembro, 1964 — Turvelândia, 8 de março de 1991) foi um poeta brasileiro, apontado por Paulo Leminski como um dos mais criativos poetas de sua geração:

Pio Vargas tem um ‘eu’ coletivo tão forte que chego a vê-lo muitos. De sua poesia consigo extrair a certeza do que digo, insistente: há uma geração recente que usa e abusa da modernidade, fazendo dela o principal elemento a interferir na criação. Este Pio Vargas me trouxe uma poesia fascinante que não se atrela a falsos modelos de invenção, mas flutua, inventiva, com os mais amplos e possíveis signos do fazer poético”.

A Biblioteca Estadual Pio Vargas, em Goiânia, foi assim denominada em sua homenagem.

Obras

Poesia
  • Janelas do espontâneo - GO, 1983.
  • Anatomia do gesto - GO, 1989.
  • Os novelos do acaso & o ofício de afagar efêmeros - GO, 1991.
  • Em 2010 foi lançada uma antologia, organizada por Carlos Willian Leite, com a poesia completa de Pio Vargas.

Para saber mais:


  • Pio Vargas: um beat no Olimpo em ueg.br




Imagens:

1. Capa do livro, Pio Vargas: Poesia Completa, organização de Carlos Willian Leite
2. Pio Vargas

sábado, 7 de setembro de 2013

A poesia cresce - Descortinando Pio Vargas (poeta)


ela traça o plano

aparece travestida de som, sentimento, toque, sem que ninguém a evoque, presente um milésimo de segundo antes de sequer pensarmos em tê-la, ou melhor, cortejá-la para que nos tome e sopre em nossos ouvidos, seus antigos e sedutores segredos, transformando o nada em tudo.

presente no primeiro gemido, no gozo, em gestos de irreverência, nas falas, música e letras de protesto, na batida calma do coração a meditar, nos dedos vibrantes na guitarra e na primeira fala ritmada, quando do nascimento de rappers, repentistas, artistas e demais filhos que ela adotar.

ela anda, corre, dança, fala, cala, canta, se esconde, se infiltra, se doa, suja, limpa, transparente, come, bebe, respira.

a poesia cresce!

Joakim Antonio


“considerações necessárias

é preciso tirar a poesia da clausura dos concursos, das gaiolas do acaso, do exílio das gavetas, trazê-la para o sabor do consumo rápido e fácil, envolvê-la de popularidade, sem o vulgarismo perigoso do que é descartável, mas também sem a absurda pretensão do que se quer eterno. 

poesia para fazer rir e refletir, evoluir e incomodar, propor e decompor. poesia para os botecos, para os gabinetes, para as praças, para os salões de festas, para os mocambos, para as favelas, estúdios, vídeo clipes e palanques.

poesia sem medo, poesia sem trauma, poesia-pão, poesia-sim, poesia-não. pois ia ousar um dia popularizar a poesia.

viva a poesia viva!”

Pio Vargas


Pio Vargas (Iporá, 7 de setembro, 1964 — Turvelândia, 8 de março de 1991) foi um poeta brasileiro, apontado por Paulo Leminski como um dos mais criativos poetas de sua geração:

Pio Vargas tem um ‘eu’ coletivo tão forte que chego a vê-lo muitos. De sua poesia consigo extrair a certeza do que digo, insistente: há uma geração recente que usa e abusa da modernidade, fazendo dela o principal elemento a interferir na criação. Este Pio Vargas me trouxe uma poesia fascinante que não se atrela a falsos modelos de invenção, mas flutua, inventiva, com os mais amplos e possíveis signos do fazer poético”.

A Biblioteca Estadual Pio Vargas, em Goiânia, foi assim denominada em sua homenagem.

Obras

Poesia
  • Janelas do espontâneo - GO, 1983.
  • Anatomia do gesto - GO, 1989.
  • Os novelos do acaso & o ofício de afagar efêmeros - GO, 1991.
  • Em 2010 foi lançada uma antologia, organizada por Carlos Willian Leite, com a poesia completa de Pio Vargas.

Para saber mais:


  • Pio Vargas: um beat no Olimpo em ueg.br




Imagens:

1. Capa do livro, Pio Vargas: Poesia Completa, organização de Carlos Willian Leite
2. Pio Vargas

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Estouro




Ideia fixa
Sem olhos alheios
Guardada a sete chaves
Impagável, incomparável, intocável
De todas, a melhor

Hora certa
Sem papel correto
Esquecido os cuidados
Tocada, ferida, revelada
Diante todos, estourou

Ideia solta
Sem nenhuma regra
Espalhando-se no mundo
Mudando, crescendo, evoluindo
Toda descoberta, revolucionou-se


Joakim Antonio



Imagem: Lamp of Idea by Tariqdesign

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Uma criança



Há uma criança crescendo na rua
sem muros e grades a lhe guardar
esperta demais para sua idade
corpo pequeno, alma secular

Há uma criança alimentando-se, da rua
com suas paisagens, diurna e noturna
tragada e brindada sob olhares turvos
descalça e soturna, vestida e nua

Há uma criança encolhida no parque
dormindo em coberta de céu e terra
vigiam seus sonhos amigos alados
que com fome limpam sua lapela

Há uma criança abrindo seus olhos
para o caminho que deve trilhar
não quer migalhas, nem regalias
quer direito, crescer, ser e amar

Há uma criança do futuro na rua
vinda de muitos séculos atrás
seu sorriso abala todas estruturas
então nos escondemos, cada vez mais

Joakim Antonio


Imagem: Homeless Child by leroys

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...