Quem me fez crescer, errou tudo no processo. Deixou o fora grande e o dentro gigante. Colocou asas nos pés e estrela nos olhos. E cavocou mais espaço no coração.
Quem me fez crescer, esqueceu de dizer. Que não devia sonhar demais, sorrir demais, amar demais. Nem criar e tampouco buscar, loucos como ele, ousando se divertir.
Quem me fez crescer, sumiu já na maternidade. Fiquei sem saber se havia partido, fora sequestrado, ou apenas se escondido. Se era humano, divino, ou o nada, onde tudo está.
Até o dia que novamente se fez presente, quando alguém olhou através da janela e chamou seu morador de poeta. E ela, tocando meu peito, disse, apontando a porta, "Vai menino, teu lugar agora é lá fora.".
Imagem: Kurumin Urbano (kinzinho)


