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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
Card - Anunciado
Aquele olho castanho e o cabelo preto. Aquela pele escura e a barba cerrada. Aquela voz rouca e a doce gargalhada. De onde realmente veio. Da mãe índia, do pai mourisco, da boa mistura dos brasileiros. Não interessa, a tempestade anunciou e ele veio.
Joakim Antonio
Card: CahOliveira2017
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terça-feira, 18 de outubro de 2016
Guiado
Hoje lembrou duma conversa antiga.
- Eu tenho medo.
- Todos temos.
- Não quero me machucar no sonho.
- Faz parte da caminhada, você terá que acreditar no novo caminho.
- Pai, eu não quero me perder.
- Por isso esse sonho, ele é um guia.
- Mas parece tão real, a ponto de se materializar.
- Sonhos são assim e um dia filho, quando você deixar ele chegar bem perto, você saberá do porquê dele aparecer...
Sentiu um calor subir pelos pés e tomar conta do corpo, abriu os olhos e viu o sonho entrar porta adentro. Dessa vez não teve medo e o seguiu.
Ao chegar no seu destino, se surpreendeu com a acolhida. Trocou de roupa, agradeceu a proteção que sempre teve, mesmo sem saber, e o reverenciou colocando uma mão no chão, bradando seu grito de guerra e dizendo, "Obrigado irmão, por me guiar de volta para a minha família.".
Naquele instante, os dois dançaram.
Joakim Antonio
Imagem: The dance of wolf wallpaper
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segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Minha força - Palavra Expressa
Minha força
não vem da academia
nem reside em minhas flechas
Ela faz morada
na névoa da floresta
é sentida em minhas ervas
no algo que mora no tabaco
e no material de que é feito minha oca
Reside no nada
de onde tudo brota
dá conselho ao pé do ouvido
é temida em minha palavra
faz vibrar minhas histórias
Corre no sangue
na veia aberta da terra
no rio, no mar, no mangue
nas lágrimas da grande mãe
nos raios quentes do grande pai
Risca o chão
como raio e trovão
queima a pele antiga
destrói as cascas vazias
e traz o nascer do novo dia
Minha força
vem do todo que foi
mora no tudo que será
Joakim Antonio
Publicado originalmente no site Retratos da Alma.
Foto: Guerreiro Kuikuro by Rodrigo Petrella
Exposição: Guardiões da Floresta
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sábado, 8 de agosto de 2015
Irmãos - Povo da floresta
Todos que ouviam as histórias do povo do lobo, estranhavam a lenda de uma menina de outra cor, que foi acolhida de imediato, há muitas luas atrás, muito antes do chamado primeiro contato com os selvagens da cidade. E com ele não foi diferente.
Mestre, como seu povo aceitou tão facilmente, uma menina como irmã, mesmo com outra cor de pele?
Não sei o porquê desse estranhamento, se é tão óbvia a resposta.
Não entendo.
Se convivíamos com irmãos lobos, de vários portes e cores. É claro que haveria de existir, pelo mundo e pelas estrelas, irmãos nossos de cor e forma diferentes. A única coisa que não sabíamos é quando iríamos nos encontrar, para aprender, um com o outro.
Joakim Antonio
Imagem: Eyes Unclouded by Yuume
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sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Povo do lobo - Particularidades
O povo do lobo trazia consigo misteriosas particularidades. Almas livres, o viam como lobo e quando desprovido dos pelos, o viam como um menino. Mas a mais notada por todos. É que desprovido dos falsos medos, diziam ser realmente um homem.
Joakim Antonio
Imagem: Wolf by Owlivia
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Povo do lobo - Temidos
Engraçado, o povo do lobo sempre me recebeu como um irmão, mas eram temidos por todos. Ao conversar com meu tutor ele me disse o porquê:
"Somos conhecidos como assassinos matadores de lobos, para roubarmos seus espíritos. Mas nunca matamos um lobo por esporte, usamos sim, a pele dos antigos que morrem em nosso quintal, ou quando preciso, de algum desses irmãos que precisavam parar de sofrer, afligidos por outro grande mal.
Já nossos irmãos civilizados, destroem-se entre si, por cobiça, inveja, pelo somente ter. São cascas vazias de amor aos outros irmãos da natureza. Tementes ao seu deus pessoal, o qual vira demônio ao menor sinal de, parecer, não os obedecerem.
Somos temidos, justamente por não temer ser uno com a natureza e também por saber, que por debaixo de nossas peles coloridas, somos todos da mesma cor. Brancas caveiras, que sempre irão nos encarar e lembrar, espero por você.
O povo do lobo não teme a morte, mas também não espera desprevenido, nós vivemos nosso melhor, dia a dia."
Joakim Antonio
Imagem: Wolf by Jouey
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Povo do lobo - Sabedoria
O povo do lobo era muito procurado, devido a sua sabedoria.
E muitos iam até eles, para saber o porquê de suas orações
não serem atendidas.
E eles sempre respondiam:
"Deus não é espera!"
Imagem: Power Of The Wolf by Baioretto-Majo
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Reencontro
Hoje lembrou duma conversa antiga.
- Eu tenho medo.
- Todos temos.
- Não quero me machucar no sonho.
- Faz parte da caminhada, você terá que acreditar no novo caminho.
- Pai, eu não quero me perder.
- Por isso esse sonho, ele é um guia.
- Mas parece tão real, a ponto de se materializar.
- Sonhos são assim e um dia filho, quando você deixar ele chegar bem perto, você saberá do porquê dele aparecer...
Sentiu um calor subir pelos pés e tomar conta do corpo, abriu os olhos e viu o sonho entrar porta adentro. Dessa vez não teve medo e o seguiu.
Ao chegar no seu destino, se surpreendeu com a acolhida. Trocou de roupa, agradeceu a proteção que sempre teve, mesmo sem saber, e o reverenciou colocando uma mão no chão, bradando seu grito de guerra e dizendo, "Obrigado irmão, por me guiar de volta para a minha família.".
Naquele instante, os dois dançaram.
Joakim Antonio
Imagem: The dance of wolf wallpaper
sexta-feira, 17 de julho de 2015
Canto ancestrá - Palavra expressa
Primeiros sons
Palavras rústicas
Traduzindo o apontar
Descrevendo a rimar
Rua e Lua
Essência presente
Vida futura
Nada feito pressa
Tudo feito c'alma
A caça-palavras continua
Hoje desperto
Sobe ou desce
Dançando em espiral
E a palavra dia
Amanhece e anoitece
Roça de mio
Casa de sapê
Olhando e debruçado
Na metade da porta
Aberta ao saber
Um véi pretu diz
Aprenda a ouvi
O canto dus passarin
O sussurro dus vento
A cantiga das frô
Relembre mais
O tempo que foi
Pinto no ovo
Estrela do mar
Semente de flor
Um jovem índio
Passa cantando
O velho índio
Quase civilizado
Ao ouvir chora
Na boca do kurumin
O canto ancestrá da Rosa
Joakim Antonio
Palavras rústicas
Traduzindo o apontar
Descrevendo a rimar
Rua e Lua
Essência presente
Vida futura
Nada feito pressa
Tudo feito c'alma
A caça-palavras continua
Hoje desperto
Sobe ou desce
Dançando em espiral
E a palavra dia
Amanhece e anoitece
Roça de mio
Casa de sapê
Olhando e debruçado
Na metade da porta
Aberta ao saber
Um véi pretu diz
Aprenda a ouvi
O canto dus passarin
O sussurro dus vento
A cantiga das frô
Relembre mais
O tempo que foi
Pinto no ovo
Estrela do mar
Semente de flor
Um jovem índio
Passa cantando
O velho índio
Quase civilizado
Ao ouvir chora
Na boca do kurumin
O canto ancestrá da Rosa
Joakim Antonio
Publicado originalmente na coluna Palavra Expressa, em Retratos da Alma.
Imagem: Music Rose by Dream Factory
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Donos da casa
Mestres das folhas
irmãos da mata
compadres d’água
apadrinhados pela Lua
nascidos da Mãe Terra
depois de amar o Sol
Joakim Antonio
irmãos da mata
compadres d’água
apadrinhados pela Lua
nascidos da Mãe Terra
depois de amar o Sol
Joakim Antonio
Imagem: Roberto Ecologia
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Minha força - Retratos da Alma
Minha força, coluna Palavra Expressa no site Retratos da Alma
Minha força
não vem da academia
nem reside em minhas flechas
não vem da academia
nem reside em minhas flechas
Ela faz morada
na névoa da floresta
é sentida em minhas ervas
no algo que mora no tabaco
e no material de que é feito minha oca
Reside no nada
de onde tudo brota
dá conselho ao pé do ouvido
é temida em minha...
na névoa da floresta
é sentida em minhas ervas
no algo que mora no tabaco
e no material de que é feito minha oca
Reside no nada
de onde tudo brota
dá conselho ao pé do ouvido
é temida em minha...
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Imagem: Alto Xingu (MT) - Festa do Kuarup, na aldeia Kamayurá. (Foto Marcello Casal Jr./ABr)
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