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terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Plenilúnio
Lua cheia atrai, desperta instinto, dispara o sangue ao destino certo. Multiplica o brilho no olhar do homem, que por instinto, busca o astrolábio para não errar o caminho. Começa como vento, sussurrando baixinho ao pé do ouvido, Vira massagista tateando caminho. E ao sentir o cheiro da pele, despertando a língua do lobo, vai em direção ao ponto preciso, para o prazer de uivar.
Joakim Antonio
https://www.facebook.com/poetajoakimantonio
Imagem: Moonlight Hills by Dzoga
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Aceito - Povo da floresta
Subo a montanha tentando esquecer a conversa com o Chefe, ao dizer que ouvi um uivo estrondoso, bem no meio da tempestade.
"O povo do lobo acredita que na pedra mais alta, mora um Lobo-rei. Ele aparece trazendo raios e cada uivo seu é um trovão. Nesse dia, o primeiro a ouvir seu uivo na madrugada deve ir ao seu encontro, pois será testado. No final há um banquete ou sábias palavras. As palavras serão presente e sentença, porque na verdade, ele sempre vem para um julgamento."
Mas como vou saber se passei no teste?
Se não virar banquete..."
Ao chegar no ponto de destino ele já me aguardava, me olhou diretamente nos olhos, no mesmo instante surgiu um raio, me obrigando a piscar. E na eternidade contida no fechar e abrir de pálpebras, ele soou, queimando por dentro:
"Sou espírito
que choca-se contra a pedra e não morre
que existe dentro da rocha
estou no tempo
parado e movendo-se
sou a tua prova
não passe apenas por mim
venha conquiste e renova-te
ultrapasse suas dúvidas
faça parte como filho
seja você também
a própria rocha
não se preocupe com a poeira do tempo
em colocar teu nome na pedra
que em pó se esfarela
nem em colocá-lo na perfeita
mas perecível estrela
no universo
que constantemente se renova
lembra-te que assim como eles
tu nesse momento és
amanhã outro será
e assim
tudo se renova
o mar, o céu, as pessoas
a vida cor de rosa
e até a vida suja
serão limpas
e o réu torna-se culpado nessa hora
será que eu preciso ter
ou preciso ser
no coração onde o ponto dói
ali está a raiz da sua resposta
abra e deixe que sangre
permita que o rio jorre
não cobice o perfeito dos outros
a chuva cai para todos
saiba que uma linda flor tem espinhos
e não maldigas
o que aconteça na sua vida
pois se acabassem os espinhos
não haveria mais proteção
você só vê o caule
o broto que o Algo plantou
espera e confie
cuide da tua flor
não murche, não suma
para melhor e mais bonita flor
não existe adubo cheiroso
o perfume delas
vem do estrume que o outro deposita
da água que jogam dentro da ferida
vem da fumaça que a obriga ser forte
da presa que quase lhe leva a morte
tudo tem um porquê
tudo na vida vem para melhorar você
agradeça primeiro estar vivo e não maldigas
a vida é sua
você que deve fazer dela melhor
já foi repetido milhões de vezes
tornado-se algo banal
mas que dessa vez toque você
seja agora
não espere o amanhã
para poder ser"
Pode parecer loucura, mas no caminho de volta, os lobos abriam caminho para eu passar.
Joakim Antonio
Imagem: Elemental by Novawuff
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Absinto
Eu
Recinto
Recinto
Portas abertas
Ninho
Ninho
Janela da alma
Fascínio
Fascínio
Língua encarnada
Instinto
Instinto
Dentes caninos
Pedindo
Pedindo
Lua prateada
Caminho
Caminho
Uivo cantado
Sigilo
Sigilo
Eu
Absinto
Absinto
Imagem: Absinthe Spirit by Memno
terça-feira, 3 de junho de 2014
Cultura descontrolada - Descortinando Allen Ginsberg (poeta)
Os barões da mídia estão com medo
eles tentam, mas sabem
o controle remoto está quase morto
o dinheiro ainda vem, mas mudou o gosto
morreram discos, quadros e papéis
os artistas sentem como nunca
necessidade de tomarem as ruas
mais uma vez
Não se sabe o que os acordou
alguns dizem que apenas relembraram
não tinham mais medo de se abraçarem
nem serem taxados de nada
assim como já foi, assim como era para ser
e fizeram amor no meio da rua
nas paredes, nas vitrines, abrindo portas
deixando entrar o céu
Os tubarões da mídia tremiam de medo
menos por perderem o controle
mais por todos terem acordado para o fato
que eles continuavam barões
com direitos autorais do próprio ser
inflacionando, roubando e matando
a parte mais preciosa da cultura
a capacidade de inovar
Naquele dia ouve um grande clarão
e a cultura descontrolada
voltou a ter controle de si mesma
Joakim Antonio
"Quem quer que controle a mídia, as imagens, controla a cultura" Allen Ginsberg
Irwin Allen Ginsberg (Newark, Nova Jersey, 3 de junho de 1926 – 5 de abril de 1997) foi um poeta americano da geração beat, que ficou conhecido pelo seu livro de poesia Howl (1956).
Allen Ginsberg foi uma criança complicada e tímida, dominada pelos estranhos e assustadores episódios de sua mãe, uma mulher completamente paranóica, que acreditava que o mundo conspirava contra ela. Ao mesmo tempo, Allen teve que lutar para compreender o que estava acontecendo dentro dele, já que era consumido pela luxúria de outros meninos de sua idade.
Na escola secundária, descobriu a poesia, mas logo ao ingressar na Universidade de Columbia, fez amizade com um grupo de jovens delinquentes, filósofos de almas selvagens (entre eles Jack Kerouac), obcecados igualmente por drogas, sexo e literatura. Ao mesmo tempo em que ajudava os amigos a desenvolverem os seus talentos literários, Allen perdia de vez a sua ingenuidade, experimentando drogas, freqüentando bares gays em Greenwich Village e vivendo seus affairs homossexuais.
Ginsberg com Bob Dylan, 1975
Assumindo um estilo de vida bizarro, como se procurasse em si mesmo a face da loucura de sua mãe, Ginsberg acabou em tratamento psiquiátrico. Aos 29 anos, ele já tinha escrito muita poesia, mas quase nada publicado. Ele ganhou popularidade a partir de 1955, com o seu poema Howl (considerado por muitos, obsceno e pornográfico, assim como o seu autor...). Howl (Uivo) foi o livro de poesia mais vendido da história dos EUA, tendo vendido mais de 1 milhão de exemplares em pouco tempo, e foi seguido por vários outros poemas importantes, como Kaddish, onde ele faz uma espécie de auto-exorcismo, escrevendo sobre a loucura e morte de sua mãe. Por esse período, Ginsberg viaja o mundo, descobre o budismo e se apaixona por Peter Orlovsky, que seria seu companheiro por 30 anos, embora sua relação não fosse monógama.
No início dos anos 60, enquanto sua celebridade crescia, ele se lança na cena hippie, ajuda Timothy Leary a divulgar o psicodélico LSD e participa de uma lista incrivelmente grande de eventos, como o Human Be-In, em 1967, em San Francisco, onde ele é um dos que conduzem a multidão cantando o mantra OM.
Ginsberg é também figura-chave nos protestos contra a guerra do Vietnã na Convenção do Partido Democrático de Chicago, em 1968. Após conhecer o guru tibetano Rinpoche, Ginsberg aceita-o como seu guru pessoal. Depois, juntamente com a poeta Anne Waldman, cria uma escola de poesia. Sempre participando de eventos multiculturais, Ginsberg manteve sua agenda social ativa até a sua morte, em 5 de abril de 1997, em Nova Iorque.Ginsberg tinha muitos fãs, entre eles Jim Morrison, do grupo The Doors. Morrison era tão viciado nas poesias e obras dele que dizia escrever suas músicas após ter lido algum de seus poemas. Sabe-se que Ginsberg e a banda The Clash eram fãs recíprocos. O poeta fez uma participação especial na música Ghetto Defendant, cantando ao lado de Joe Strummer trechos de um de seus poemas. Ian Astbury, lider da banda The Cult e amigo pessoal dos músicos dos The Clash, que recitava Howl (Uivo) no início dos shows, é um grande propagador da obra de Ginsberg, ao qual dedicou a música Bodihsatwa, do seu álbum solo Cream, que fala sobre zen-budismo e poetas beat. Foi ainda um dos expoentes do movimento literário denominado de beat composto por um grupo de autores que trabalhavam com poesia, prosa e consciência cultural. Ginsberg articulou e formalizou a beat. Sua escrita era típica.
Oscilava entre pólos: do mantra ao sexo explícito, do sagrado ao profano, do espiritual ao material. A utopia de Ginsberg era a de uma sociedade harmoniosa, onde coubessem os loucos e, por afinidade, todas as modalidades de contexto estranho. O trânsito entre dois mundos: o da marginalidade e o da cultura erudita. Fonte: Wikpédia
Leia mais no site A rua sétima, lá você poderá ler uma entrevista e poemas do poeta Allen Ginsberg.
Imagem: Culture by Aagaardds
Marcadores: autor, joakim, prosa, poesia, reflexão
Allen Ginsberg,
descortinando,
geração beat,
howl,
poeta,
uivo
domingo, 3 de junho de 2012
Cultura descontrolada - Descortinando Allen Ginsberg (poeta)
Os barões da mídia estão com medo
eles tentam, mas sabem
o controle remoto está quase morto
o dinheiro ainda vem, mas mudou o gosto
morreram discos, quadros e papéis
os artistas sentem como nunca
necessidade de tomarem as ruas
mais uma vez
Não se sabe o que os acordou
alguns dizem que apenas relembraram
não tinham mais medo de se abraçarem
nem serem taxados de nada
assim como já foi, assim como era para ser
e fizeram amor no meio da rua
nas paredes, nas vitrines, abrindo portas
deixando entrar o céu
Os tubarões da mídia tremiam de medo
menos por perderem o controle
mais por todos terem acordado para o fato
que eles continuavam barões
com direitos autorais do próprio ser
inflacionando, roubando e matando
a parte mais preciosa da cultura
a capacidade de inovar
Naquele dia ouve um grande clarão
e a cultura descontrolada
voltou a ter controle de si mesma
Joakim Antonio
"Quem quer que controle a mídia, as imagens, controla a cultura" Allen Ginsberg
Irwin Allen Ginsberg (Newark, Nova Jersey, 3 de junho de 1926 – 5 de abril de 1997) foi um poeta americano da geração beat, que ficou conhecido pelo seu livro de poesia Howl (1956).
Allen Ginsberg foi uma criança complicada e tímida, dominada pelos estranhos e assustadores episódios de sua mãe, uma mulher completamente paranóica, que acreditava que o mundo conspirava contra ela. Ao mesmo tempo, Allen teve que lutar para compreender o que estava acontecendo dentro dele, já que era consumido pela luxúria de outros meninos de sua idade.
Na escola secundária, descobriu a poesia, mas logo ao ingressar na Universidade de Columbia, fez amizade com um grupo de jovens delinquentes, filósofos de almas selvagens (entre eles Jack Kerouac), obcecados igualmente por drogas, sexo e literatura. Ao mesmo tempo em que ajudava os amigos a desenvolverem os seus talentos literários, Allen perdia de vez a sua ingenuidade, experimentando drogas, freqüentando bares gays em Greenwich Village e vivendo seus affairs homossexuais.
Ginsberg com Bob Dylan, 1975
Assumindo um estilo de vida bizarro, como se procurasse em si mesmo a face da loucura de sua mãe, Ginsberg acabou em tratamento psiquiátrico. Aos 29 anos, ele já tinha escrito muita poesia, mas quase nada publicado. Ele ganhou popularidade a partir de 1955, com o seu poema Howl (considerado por muitos, obsceno e pornográfico, assim como o seu autor...). Howl (Uivo) foi o livro de poesia mais vendido da história dos EUA, tendo vendido mais de 1 milhão de exemplares em pouco tempo, e foi seguido por vários outros poemas importantes, como Kaddish, onde ele faz uma espécie de auto-exorcismo, escrevendo sobre a loucura e morte de sua mãe. Por esse período, Ginsberg viaja o mundo, descobre o budismo e se apaixona por Peter Orlovsky, que seria seu companheiro por 30 anos, embora sua relação não fosse monógama.
No início dos anos 60, enquanto sua celebridade crescia, ele se lança na cena hippie, ajuda Timothy Leary a divulgar o psicodélico LSD e participa de uma lista incrivelmente grande de eventos, como o Human Be-In, em 1967, em San Francisco, onde ele é um dos que conduzem a multidão cantando o mantra OM.
Ginsberg é também figura-chave nos protestos contra a guerra do Vietnã na Convenção do Partido Democrático de Chicago, em 1968. Após conhecer o guru tibetano Rinpoche, Ginsberg aceita-o como seu guru pessoal. Depois, juntamente com a poeta Anne Waldman, cria uma escola de poesia. Sempre participando de eventos multiculturais, Ginsberg manteve sua agenda social ativa até a sua morte, em 5 de abril de 1997, em Nova Iorque.Ginsberg tinha muitos fãs, entre eles Jim Morrison, do grupo The Doors. Morrison era tão viciado nas poesias e obras dele que dizia escrever suas músicas após ter lido algum de seus poemas. Sabe-se que Ginsberg e a banda The Clash eram fãs recíprocos. O poeta fez uma participação especial na música Ghetto Defendant, cantando ao lado de Joe Strummer trechos de um de seus poemas. Ian Astbury, lider da banda The Cult e amigo pessoal dos músicos dos The Clash, que recitava Howl (Uivo) no início dos shows, é um grande propagador da obra de Ginsberg, ao qual dedicou a música Bodihsatwa, do seu álbum solo Cream, que fala sobre zen-budismo e poetas beat. Foi ainda um dos expoentes do movimento literário denominado de beat composto por um grupo de autores que trabalhavam com poesia, prosa e consciência cultural. Ginsberg articulou e formalizou a beat. Sua escrita era típica.
Oscilava entre pólos: do mantra ao sexo explícito, do sagrado ao profano, do espiritual ao material. A utopia de Ginsberg era a de uma sociedade harmoniosa, onde coubessem os loucos e, por afinidade, todas as modalidades de contexto estranho. O trânsito entre dois mundos: o da marginalidade e o da cultura erudita. Fonte: Wikpédia
Leia mais no site A rua sétima, lá você poderá ler uma entrevista e poemas do poeta Allen Ginsberg.
Imagem: Culture by Aagaardds
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