domingo, 21 de junho de 2015

Um show de ensaio - Descortinando Fernando Faro (comunicador)

Fernando Faro

Em vez de escrever o livro, ele se tornou a história.


O sudeste teima em desafiar o nordeste, tentando esfriar o sangue caboclo que não se deixa apagar. O nordestino é um forte e não teme a morte, louvando a vida em detalhes e atento a toda paisagem, onde natureza e pessoas em cena, produzem mais do que podemos imaginar.

Fernando Faro é um desses caboclos, nascido em Sergipe e que não deixou São Paulo acinzentar sua visão. Estudante e jogador de futebol, quase nos foi tomado, mas o juízo da mãe o expulsou desse campo e no do Direito ele mesmo anunciou retirada, não sem antes descobrir que gostava de escrever.

Escreveu para jornais, passou para o rádio e depois para televisão, sua verdadeira casa, não sem dar uma passada pelas agências de propagandas. Um comunicador que traz em si a cultura que os nordestinos prezam tanto, música, dança, artes em geral e sempre, absorvendo em detalhes, o que de melhor as pessoas podem oferecer.

Como todo bom comunicador, é um ótimo contador de histórias, tão bom que nos brindou com suas lembranças devidamente enquadradas, pois de que adiantava ser memória viva deixando-nos de memória vazia, sem ver a beleza da mente de tantos músicos, suas pausas compassadas e respostas ritmadas. Então o menino, homem, caboclo, ficou conhecido por muitos como a voz que nos mostrava a beleza desconhecida de tantos outros.

Dizem que é preciso ser poeta para ver poesia em tudo, grande mentira, mas para ouvir o silêncio e reconhecer a poesia ouvindo suas notas antes de soarem, não importa o que digam, é preciso ser poeta, talvez por isso Faro encontrou em Vinícius de Moraes um grande amigo, daqueles que nos dão força para  continuar e também nos ajudam a mandar tudo para a Tonga da Mironga do Kabuletê.

Segue por quase cinco décadas fazendo poemas, onde os próprios poetas são as linhas declamadas e o importante são as pausas que antecedem o canto. O erro nunca foi tão belo e o silêncio nunca tão harmonioso, como quando passa por sua visão e nos é repassado pelas suas mãos.

Se também parássemos para observar, veríamos que há acima de tudo um princípio e por Baixo, um lema: Como a vida. Talvez porque lá no fundo, ele que é muito mais sábio que nós, descobriu que depois há algo muito maior nos esperando e isso tudo, é apenas um Ensaio!


Joakim Antonio

sexta-feira, 19 de junho de 2015

No reino de Ávila - Descortinando Affonso Ávila (poeta)


Ainda existem reis de palavra

No reino de Ávila
cercado de palavras
em vanguarda
não há vilão

No reino de Ávila
há Vila Rica
enfeitada de Ouro Preto
e um Belo Horizonte

No Reino de Ávila
a fauna é rica e única
jabuti de papel
ofusca diamantes

No reino de Ávila
havia e há, todo
o visto e o imaginado
do rei Affonso


Joakim Antonio 

Affonso Ávila (Belo Horizonte MG, 1928) foi um pesquisador, ensaísta e poeta brasileiro.
É considerado um dos mais importantes poetas brasileiros contemporâneos.
Teve participação ativa em importantes movimentos literários, foi criador do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais e de toda uma linha de pesquisas e ensaios cujo enfoque é o Barroco no Brasil, principalmente do Barroco mineiro.
Foi organizador da Semana de Poesia de Vanguarda, um importante evento realizado em 1963, e vencedor de diversos prêmios – entre eles o Prêmio Jabuti de Literatura, com O visto e o imaginado.
A carreira de Affonso Ávila acumula trabalhos de levantamento e conservação do patrimônio artístico e arquitetônico das cidades históricas mineiras, sendo um dos marcos desse percurso a criação do IEPHA - Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG). 
Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Arigatou - Dia da Imigração Japonesa no Brasil



Um obrigado é sempre uma via de mão dupla


Aqui tem samurai nordestino, caboclo oriental, gueixa brasileira, sambista japonesa, carateca baiano e capoeirista oquinawano. Tem poetas recitando haikai em português e cordel em japonês, bebendo caipirinha de sakê e comendo arroz grudadinho com feijão mulatinho. Tem feijoada na academia após graduação de faixa preta paulista filho de nordestino, formado por mestre japonês mistura de italiano, alemão, índio e português. Só aqui nações misturam-se tanto que não há mais distinção, nem preconceito, somos todos povo brasileiro.

Este ano comemoramos 107 anos de amizade, luta e ajuda mútua entre Brasil e Japão, dois gigantes e um só coração.

Um dia, em uma comemoração na Liberdade, vi nossos irmãos agradecendo a acolhida recebida, mas o obrigado é uma via de mão dupla, ganha mais quem dá, que quem recebe, no caso nós também devemos dizer obrigado, ou melhor,

ARIGATOU! 

Joakim Antonio



18 de junho de 1908 aportava em Santos o navio Kasato Maru, trazendo o primeiro grupo de imigrantes japoneses vinculados ao acordo estabelecido entre o Brasil e o Japão.

Influência da imigração japonesa no Brasil
Os imigrantes japoneses aperfeiçoaram as técnicas agrícolas e de pesca dos brasileiros. É notável o seu trabalho na aclimatação ou desenvolvimento de vários tipos de frutas e vegetais antes desconhecidos no Brasil, no total trouxeram mais de 50 tipos de alimentos, entre os quais o caqui, a maçã Fuji, mexerica poncã e o morango. Além dos alimentos trazidos pelos imigrantes japoneses no Brasil destaca-se também a grande expansão da avicultura brasileira que só cresceu de vez quando foram trazidas aves-matrizes do Japão e com a experiência dos imigrantes japoneses nas granjas.
A diáspora japonesa forneceu uma porta de entrada para a influência cultural japonesa no Brasil que se destaca na tecnologia agrícola, culinária, esportes: judô, aikidô, jiu-jitsu, caratê, kendô, sumô, gateball e apesar de o beisebol já ser praticado antes da chegada dos imigrantes japoneses foi através desses imigrantes que se deve o desenvolvimento do Beisebol no Brasil. Mangás, seriados de televisão (como os animes) e outros aspectos.
O bairro paulistano da Liberdade representa um pedaço do Japão com vários pórticos vermelhos de templos xintoístas. Restaurantes de yakisoba, sushi e sashimi competem com os karaokês e supermercados nos quais se pode comprar o nattō e vários tipos de molho de soja.
Até mesmo o drinque brasileiro mais famoso, a caipirinha, ganhou uma versão japonesa com saquê: a sakerinha. Fonte: Wikipédia  


Imagem 2: Kasato Maru, 1908. Acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (MHIJB-SP)

terça-feira, 16 de junho de 2015

Cabra da peste - Descortinando Ariano Suassuna (escritor)

Esse cabra da peste é um mestre

O cordel é interessante
conta bem qualquer história
de princesa a toda gente
basta puxar da memória
do tempo do seu vigário
até os tempos de agora

Tem história cabeluda
de tesouro enterrado
tem de fada e de bruxa
com final destrambelhado
de alegria e tristeza
cantada por iletrados

Seu Suassuna nasceu
em junho de vinte sete
na Capital das Acácias
do nosso lindo nordeste
já chegou cordeliando
eita que cabra da peste

Da cultura do nordeste
virou grande defensor
usando da sua pena
escreveu sobre a dor
que aflige toda gente
desse sertão sofredor

Trouxe muitas alegrias
pra esse povo de aço
que resiste bravamente
e lhe mandam um abraço
todo Brasil lhe deseja:
Um Feliz Aniversário!

Joakim Antonio

(Texto publicado em virtude da comemoração dos 85 anos de Ariano Suassuna)


Ariano Vilar Suassuna (João Pessoa, 16 de junho de 1927- Recife, 23 de julho de 2014)) foi um dramaturgo, romancista e poeta brasileiro, defensor da cultura do Nordeste e autor de Auto da Compadecida e A Pedra do Reino.

Em 1955, Auto da Compadecida o projetou em todo o país. Em 1962, o crítico teatral Sábato Magaldi diria que a peça é "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro". Sua obra mais conhecida, já foi montada exaustivamente por grupos de todo o país, além de ter sido adaptada para a televisão e para o cinema.

Seu livro, Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta foi publicado em 1971. É inspirado em um episódio ocorrido no século XIX, no município sertanejo de São José do Belmonte, a 470 quilômetros do Recife. Na época do seu lançamento, o livro foi considerado um marco da literatura nordestina, após o ciclo do romance regional de 1930 e foi adaptada para o cinema, o teatro e a televisão.
A história transformou-se em microssérie exibida pela Rede Globo em homenagem aos 80 anos do escritor. A trama foi exibida entre 12 de junho a 16 de junho de 2007 e sua exibição foi integral nos cinemas.

De 1990 até o ano de sua morte, ocupou a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Manuel José de Araújo Porto Alegre, o barão de Santo Ângelo. Foi sucedido por Zuenir Ventura.

Ariano foi o idealizador do Movimento Armorial, que tem como objetivo criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro. Tal movimento procura orientar para esse fim todas as formas de expressões artísticas: música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, entre outras expressões.

Obras de Ariano Suassuna já foram traduzidas para inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês

(Wikipédia)


Imagem 1: Ariano Suassuna colorby SilviodB
Imagem 2: Wikipédia

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...