quinta-feira, 4 de abril de 2013

Satisfação - Sefirat ha Omer - Dia 10


Você é feliz no que faz?


Fecho a porta bem devagar, mas ela sempre ouve.

- Aonde você vai?
- Comprar comida mãe.
- Não vai me dizer que é peixe cru de novo?
- Sushi mãe, já falei que é sushi.
- É peixe cru sim senhor e outra, você ainda vai passar mal de tanto comer aquilo.
- Ai, ai, santa ignorância. Quando eu for um Sushiman a senhora vai ficar orgulhosa.
- Eu? Há, até parece, vai logo para não voltar tarde demais.

Sorri e saí de casa correndo, estou atrasado, ainda bem que a aula é dentro da peixaria. Ninguém desconfia, mas Yamamoto é um mestre. A primeira vez que o vi fiquei impressionado com o manejo da faca, parecia um samurai, movimentos precisos e fortes, porém delicados. A impressão que dá é de que a faca é uma extensão do seu corpo. Outra coisa notável é que ele sempre sorri, não que nunca o visse sério, mas isso só acontecia quando ele preparava a comida para nós e mesmo assim, ao olhar bem, ele sustentava um leve sorriso na face. Com o tempo ele me contou sua história, desde seu tataravô, e confiou-me o maior segredo da sua família: fazer tudo com disciplina, sem esquecer-se de acrescentar suavidade e beleza ao trabalho. Seus sushis parecem pequenas obras de arte, e no final do preparo seu sorriso sempre aumenta, pois ele fica satisfeito em ter dado o melhor se si!

Nunca vou esquecer o primeiro dia que falei com ele.

- Oi, qual o seu nome?
- Yamamoto.
- Estava ali lhe observando preparar sua comida e pensei, esse cara é um mestre. Você poderia me ensinar a fazer essas pequenas obras de arte?

Nesse momento até levei um susto, ele soltou uma grande risada e disse: "Você é louco, obras de arte? Isso é apenas peixe cru!"

Eu ri muito, viramos amigos e com o tempo descobri a satisfação de dar o melhor de si, não importando o trabalho feito.

Ah, sobre a frase dele que me assustou, por favor, nunca contem para minha mãe, eu não aguentaria ela dizendo todo santo dia, "Eu falei que era só peixe cru!".

Joakim Antonio 


Muitas vezes não damos o melhor de si, mesmo achando que sim. Pode-se dar o melhor em suor, energia, pró-atividade e mesmo assim não ser 100%. Pense bem, quem já não viu na sala de aula, ou já fez, um trabalho correndo e tirou até uma nota boa, mas quando alguém olha diz, "Nossa, só garrancho!".

Eu já entreguei muito trabalho assim, no meu caso não tinha habilidade nem paciência para pintar com lápis de cor, então entregava pronto, mas poderia ser melhor se fizesse com calma. Já, hoje em dia, presto atenção em muitos detalhes. Podemos ter disciplina e paixão pelo trabalho, o que já é louvável, mas se trouxermos beleza para ele, vamos nos sentir muito mais satisfeitos e quem nos olha também ficará admirado. No final, quem sairá ganhando somos todos nós.


Hoje é o décimo dia, e a segunda semana de uma jornada, o assunto de hoje é beleza na disciplina, satisfação.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Organização - Sefirat ha Omer - Dia 9


Será que acabo hoje? 

O tempo realmente nos controla?
A vida não é contada em horas!
Ser senhor do tempo,
é criar seus momentos.

Saber o que fazer no dia,
não é controlar a vida.
É ter sabedoria para,
com prazer, dividi-la.

Trabalho, diversão,
seriedade, alegrias,
sangue, suor, lágrimas
e amor, durante toda vida.

Mas não faça dela rotina,
organize seu emocional,
e verá que sobrará tempo
para o que mais interessa.

Viver plenamente,

VOCÊ!

Joakim Antonio


Já reparou como muitas vezes organizamos tudo quando somos obrigados, geralmente no serviço, na escola, no futebol, no clube, mas em casa deixamos para depois? Empurramos muita coisa para debaixo do tapete do comodismo e atrás das portas de desculpas que criamos, mas por vezes, somos os que mais cobramos disciplina nos outros.

Quando tiramos um tempo para realmente organizar tudo, vemos que a vida fica mais fácil, as ferramentas estão mais à mão e sobra tempo para encaixar as delícias inesperadas que surgem, afinal, tudo já estará encaminhado e talvez até terminado.

Eu tenho uma grande dificuldade de me organizar sabiamente, pois quero muitas coisas ao mesmo tempo. Estava até melhorando, mas com os estudos tudo ficou fora da rotina que havia estabelecido, e isso foi ótimo, afinal quem quer rotina. Esforcei-me para organizar esses dias da jornada, pois me foi dito, "Se você não consegue separar 10 minutos do seu dia para realizar algo bom em sua vida, como espera ter disciplina para todo o restante!". Eu encontrei meu tempo e vocês?

Hoje é o nono dia, e a segunda semana de uma jornada , o assunto de hoje é disciplina na disciplina, organização.


terça-feira, 2 de abril de 2013

Silêncio - Sefirat ha Omer - Dia 8


Você consegue ficar 24 horas sem criticar?


Ela o observava em cada passo, enquanto isso pensava, um dia vou ser igual a ele.

- Vou ajudar arrumar tudo hoje pai.
- Cuidado, você é muito desastrada.
- Mas agora estou prestando mais atenção, assim como o senhor.
- Mesmo assim, isso aí é muito valioso, melhor não mexer.
- É mesmo, vou fazer um lanche para nós então.
- Cuidado, que você é mestre em se queimar.
- Mas foi quando era criança pai.
- Ah, esqueci, agora você é adulta com doze anos.
- Tá bem, tá bem, vou na padaria comprar pão.
- Vê se dessa vez não traz pão velho de novo.
- Desculpa pai, mas imagina-se que eles vendem pão fresco lá.
- Ai meu Deus, quando você vai aprender, já falei tantas vezes que, que.. Hum? Cadê você?
- ...
- Que foi filha, chorando de novo ai no canto? Se você não aguenta uma simples crítica minha, que só faço porque te amo, imagina como vai ser sua vida no mundo lá fora.
- Eu sei pai, é para o meu bem, mas é que ainda não me acostumei, acho que a mamãe me enganava sempre sabe.
- Não fala isso filha, olha que ela está vendo lá de cima.
- É que tudo que eu fazia ela dava um sorriso, mesmo depois de ver o arroz queimado, e para que o senhor não brigasse, ela fazia outro e dizia ter sido eu.
- Eu sei filha, não fica assim, ela me contava sabia? Ela dizia que você estava crescendo rápido, e sempre, sempre dizia que amava você mais que tudo nesse mundo, assim como eu.
- É que tem vezes pai, que o senhor nem vê o que fiz e já faz aquele olhar como quem diz, não quero nem ver e, e... Pai? O senhor está chorando? Desculpa, desculpa, eu não queria, é que..
- Shhhh, vem cá, me dá um abraço bem forte, HUMMMM. Eu te amo filha!
- Também te amo papai.
- Você me ajuda arrumar tudo aqui agora?
- Claro.
- Depois vamos sair para tomar uns sorvetes.
- Ebaaa, você é o melhor pai do mundo.

Ele a observava em cada passo, enquanto isso pensava, um dia vou ser igual a ela.

Joakim Antonio


Consideração final:

Muitas vezes criticamos demais quem amamos, nem esperamos ver o que aconteceu, o como, o porquê e já temos uma palavra pronta para criticar. Mas como saber se estamos criticando demais? Observando-se, tentando ver o máximo possível antes de tecermos comentários, acompanhando a solução que a própria pessoa terá, muitas vezes ela nos surpreenderá. O modo mais fácil de notar é tentar passar 24 horas sem criticar ninguém, então veremos o quanto é preocupação e amor, e o quanto já é hábito nosso.

Eu sou perfeccionista, podem pensar que é bom, mas isso tira a paciência de qualquer um. Antigamente o que mais ouvia era, "Você quer que todos sejam iguais a você!" e se pensar bem, era mesmo. Só melhorei quando aprendi cultivar a paciência, mas mesmo assim, não criticar a pessoa não significa aguentar suas atitudes erradas. Se sabemos fazer algo melhor, devemos compartilhar o que aprendemos e não exigir o que queremos. Ah, também não julgue a si mesmo severamente, use o mesmo amor com você!

Hoje é o oitavo dia, e a segunda semana de uma jornada , o assunto de hoje é amor na disciplina.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Nobreza - Sefirat ha Omer - Dia 7



Não aprendi odiar, apesar de ter sido odiado, com razão ou não.
Não aprendi bater, apesar de ter apanhado, merecido ou não.
Não aprendi avareza, apesar de ter-me sido negado, por mesquinhez ou não.
Não aprendi calar, apesar de terem silenciado, por culpa minha ou não.
Não aprendi desistir, apesar de ter sido desacreditado, por subestimarem ou não.
Não aprendi malandragem, apesar de viver rodeado, por necessidade ou não.
Não aprendi preconceitos, apesar de sempre vê-los, por ignorância ou não.
Não aprendi mentir, apesar de sempre ouvi-las, por maldade ou não.
Não aprendi reclamar, apesar de não ter tudo, por incapacidade ou não.
Não aprendi muitas coisas, apesar de insistirem, por me acharem tolo ou não.

Mas uma coisa aprendi, amar a vida e recebê-la de braços abertos!


Joakim Antonio


Quando você se dispõe a aceitar amar a vida plenamente, refinar os aspectos do seu amor sem sentir-se melhor do que os outros, tudo melhora. Não porque começa a ficar bonito e maravilhoso, pelo contrário, parecerá que o mundo piorou, mas não, pois ele continua igual e você é quem mudou. Aprender a respeitar e amar sem preconceitos, também é aprender a aceitar os que ainda não o aprenderam, aí sim conhecerá a nobreza do amor e saberá também que você nunca ajuda a ninguém, pois está sempre ajudando a si mesmo ou melhor, o outro é o mestre e você apenas o aprendiz. O amor só é nobre quando é humilde.

Eu digo que ainda sou criança porque nunca parei de me surpreender com tudo, o desenho das nuvens, o colorido do sol, os quadros fantásticos que a natureza pinta e as lições que ela nos dá. Isso faz com que eu fique alegre apenas por acordar e estar aqui, tendo a oportunidade de brincar com todos vocês.

Hoje é o sétimo dia, completando uma semana de jornada, o assunto de hoje é nobreza na bondade, consolidação do amor.


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