sexta-feira, 4 de julho de 2014

O Estrangeiro Definitivo - Descortinando Adolfo Casais Monteiro (poeta)






Não há fio de Ariadne
nem mesmo caminho
mas há saudade

Não há escassez
de sentimentos
mas há dor

Não há doce partida
tampouco despedida
mas há lágrimas

Não há salvamento
passagem oculta
mas há poesia

Joakim Antonio



"Uns dizem que os meus versos são tristes,/ outros que são abstractos./ Mas eu não tenho culpa que a carne da inteligência/ seja triste, e inteligente." 

Adolfo Casais Monteiro, O Estrangeiro Definitivo




Poeta


Poeta: uma criança em frente do papel.
Poema: os jogos inocentes,
Invenções do menino aborrecido e só.
A pena joga com palavras ocas,
Atira-as ao ar a ver se ganha ao jogo.
Os dados caem: são o poema. Ganhou.

Adolfo Casais Monteiro
Confusão
Edições Presença, 1929.



Adolfo Casais Monteiro (Porto, 4 de julho de 1908 - São Paulo, 24 de julho de 1972), poeta e ensaísta, foi um dos intelectuais portugueses que a ditadura salazarista levou a se exilarem no Brasil. Fez parte do que veio a se chamar “a missão portuguesa”, sendo aqui “recebido e assimilado, pelos colegas brasileiros, como um interlocutor autorizado e indispensável na cena literária nacional”.¹


Conhecido dos brasileiros em especial por seus ensaios dedicados a Fernando Pessoa e por sua extensa colaboração com o Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo, o português Adolfo Casais Monteiro deixou larga obra crítica e ensaística.


Cinema, teatro, literatura e sociologia são alguns dos temas que ele abordou em seus artigos, cartas, palestras e intervenções em eventos culturais em Portugal e no Brasil, onde ele se estabeleceu em 1954, quando já era reconhecido em seu país natal, inclusive como editor.²


1- “A crítica viva de Casais Monteiro”, de Leyla Perrone-Moisés, in A missão portuguesa, de Fernando Lemos e Rui Moreira Leite, org. S. Paulo: Ed. Unesp; Bauru (SP): Ed. Unesc, 2003, p. 52-60


2- Casais Monteiro, Uma antologia. Leite, Rui Moreira (Organizador): Ed. Unesp, 2012, Sinopse





Para saber mais:







quarta-feira, 2 de julho de 2014

Uma anarquista, graças a Deus - Descortinando Zélia Gattai (escritora)


Memórias são jóias raras e caras, não basta estar lá para obtê-las. Há de se participar do momento, por inteiro, mesmo que ninguém note, porque você assim o quis, sendo apenas mais um objeto na cena da história. Assim é o fotógrafo, mas o que poucos percebem é que desse jeito torna-se história viva, porque além da imagem tátil, possui a volátil que só em sua mente se confina.

Mas quando ele resolve contar toda sua experiência, colocar no papel todas suas memórias, vívidas dentro das fotos e vividas fora delas, nada supera suas histórias, de vidas, pois não há como se fazer objeto indireto na cena, torna-se mais que pretérito imperfeito, faz-se presente e molda-se futuro do pretérito mais que perfeito, pois é dona do momento e seus detalhes, que agora entram, por sua pena, para o sempre da história.

Zélia Gattai era fotógrafa do futuro sem saber, guardou imagens na memória e em álbuns fotográficos até completar 63 anos, quando então começou a nos presentear com todas elas, através dos livros que escreveu.

E isso tudo só se deu porque ela era Anarquista, graças a Deus!

Joakim Antonio

"Continuo achando graça nas coisas, gostando cada vez mais das pessoas, curiosa sobre tudo, imune ao vinagre, às amarguras, aos rancores." - Zélia Gattai 

terça-feira, 1 de julho de 2014

O poeta ao céu - Descortinando Alceu Valença (compositor)


No nordeste a poesia impera, o novo nasce até no seco e com bravura e rapidez, toma conta do país.

É de lá que vem Alceu, aquele menino dos Valença, que todo mundo pousa os olhos para ver no que deu. Crescendo em meio ao tradicional misturado com o contemporâneo, absorvendo tudo, das cirandas de menino ao Rock & Blues americano. Construído pelo amor das mulheres, desde a que lhe apresentou a poesia, ainda levado pelas mãos, até as que, levadas por suas mãos, conheceram a poesia.

Talvez fosse inevitável que se tornasse poeta, e como todo poeta, não teve medo de ousar e renovar seu mundo, assim, de verso em verso, Alceu renovou a música, porque além de ousar, ele é daqueles raros que acerta o mote, criando no seu caldeirão a composição certa, que como magia, canta e encanta corações.


Alceu Valença é múltiplo e possui várias alcunhas, mas antes de tudo, ele é um Poeta.


Joakim Antonio 


"Antes de me tornar músico, eu era poeta. Sempre tive atração pela língua portuguesa. Penso muito rápido e a palavra escrita atenua a velocidade do pensamento” - Alceu Valença

Concursos Literários do Mês de Julho de 2014




Concursos Literários do Mês de Julho de 2014 


Confira também a lista completa dos Concursos do Ano e a lista das Seleções Permanentes.

As datas nos tópicos referem-se ao prazo limite para realizar a inscrição.

Legenda:
$ - Prêmio em dinheiro
@ - Inscrição pela internet
# - Voltado a público restrito


Lista dos concursos em aberto - Julho


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