sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Também poesia - Descortinando Millôr Fernandes (poeta)



As pessoas
o admiram
riem e se
espantam
tanto
que muitas vezes
esquecem
não sabem
nem imaginam
o poeta
que cria
brilha
inventa
sorri
e se
apresenta
dentro
de ti

Joakim Antonio


Poeminha: Última Vontade
Millôr Fernandes


Enterrem meu corpo em qualquer lugar.
Que não seja, porém, um cemitério.
De preferência, mata;
Na Gávea, na Tijuca, em Jacarepaguá.
Na tumba, em letras fundas,
Que o tempo não destrua,
Meu nome gravado claramente.
De modo que, um dia,
Um casal desgarrado
Em busca de sossêgo
Ou de saciedade solitária,
Me descubra entre fôlhas,
Detritos vegetais,
Cheiros de bichos mortos
(Como eu).
E como uma longa árvore desgalhada
Levantou um pouco a laje do meu túmulo
Com a raiz poderosa
haja a vaga impressão
De que não estou na morada.
Não sairei, prometo.
Estarei fenecendo normalmente
Em meu canteiro final.
E o casal repetirá meu nome
Sem saber quem eu fui,
E se irá embora
Preso à angustia infinita
Do ser e do não ser.
Ficarei entre ratos, lagartos,
Sol e chuvas ocasionais,
Estes sim, imortais
Até que um dia, de mim caia a semente
De onde há de brotar a flor
Que eu peço que se chame
Papáverum Millôr.



Milton Viola Fernandes (Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1923 — 27 de março de 2012), mais conhecido como Millôr Fernandes, foi um poeta, desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor e jornalista brasileiro.

Começou a trabalhar ainda jovem na redação da revista O Cruzeiro, iniciando precocemente uma trajetória pela imprensa brasileira que deixaria sua marca nos principais veículos de comunicação do país. Em seus mais de 70 anos de carreira produziu de forma prolífica e diversificada, ganhando fama por suas colunas de humor em publicações como Veja, O Pasquim e Jornal do Brasil, entre várias outras.

Em seus trabalhos costumava valer-se de expedientes como a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças dominantes, sendo em consequência confrontado constantemente pela censura. Dono de um estilo considerado singular, era visto como figura desbravadora no panorama cultural brasileiro, como no teatro, onde destacou-se tanto pela autoria quanto pela tradução de um grande número de peças.

Com a saúde fragilizada após sofrer um acidente vascular cerebral no começo de 2011, morreu em março de 2012, aos 88 anos. Wiki


Poesia
  • 1967 – Papaverum Millôr (Prelo. Edição revista e ilustrada publicada pela Nordica em 1974)
  • 1968 – Hai-kais (Senzala)
  • 1984 – Poemas (L&PM)

Para saber mais:


Imagens:

1. Capa do livro de Poesia Papáverum de Millôr Fernandes
2. Millôr Fernandes por Cynthia Brito

Um comentário:

  1. Vou pesquisar mais sobre poemas de Millôr, pois não os conhecia.
    Bfs
    Abração

    ResponderExcluir

"Quando escrevo minhas idéias tornam-se a pena e minha alma a tinta, por isso quando você lê, você me sente."

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